O paciente mudou: como a inteligência artificial está escolhendo o seu médico (e o que fazer)

O paciente mudou: como a inteligência artificial está escolhendo o seu médico (e o que fazer)

Você já parou para pensar como o seu paciente chega até o seu consultório hoje?

Até pouco tempo atrás, o caminho era quase sempre o mesmo: ele sentia uma dor, abria o Google e digitava “ortopedista especialista em joelho”. Os primeiros resultados (ou os anúncios pagos) levavam o clique. Porém, o jogo virou. E virou rápido.

Tenho acompanhado de perto as movimentações do mercado internacional e estudos recentes mostram uma mudança drástica. O paciente não quer mais apenas uma lista de nomes; ele quer uma recomendação. E é aí que entra a Inteligência Artificial.

Hoje, separei para você uma análise sobre como as IAs (como ChatGPT, Gemini, Grok e afins) estão se tornando a nova “recepcionista” do mundo digital e o que médicos e clínicas precisam fazer para não sumirem do mapa.

Acompanhe comigo abaixo.

O novo comportamento do paciente

Imagine o seguinte cenário: em vez de pesquisar no Google, o paciente abre uma IA e descreve: “Estou com uma dor persistente na lombar, tenho 40 anos e meu convênio é X. Quais médicos na minha região têm as melhores avaliações para esse caso?”

Percebe a diferença? A ferramenta não entrega apenas um link azul. Ela processa informações, lê avaliações e “escolhe” quem sugerir.

Baseado em artigos recentes publicados por portais como a Healthcare IT News e estudos indexados no National Institutes of Health (NIH), a confiança dos pacientes em ferramentas de triagem digital e assistentes de IA está crescendo. Eles buscam conveniência e, acima de tudo, personalização.

Isso significa que o seu marketing médico não pode mais ser apenas sobre “estar no Google”. Ele precisa ser sobre “ser a resposta da IA”.

Visibilidade na Era da IA (e o fim do clique?)

Aqui entra um ponto técnico que vi sendo discutido por grandes nomes do marketing, como Neil Patel e o pessoal da Search Engine Journal: a visibilidade sem clique.

Muitas vezes, a IA vai responder a dúvida do paciente citando o seu nome ou a sua clínica, sem necessariamente gerar um clique para o seu site. Isso é ruim? Não necessariamente. Isso constrói autoridade.

Se o ChatGPT ou o Perplexity.ai citam o “Dr. Fulano” como referência em cirurgia de catarata, isso gera um valor de marca imenso. Mas, para que isso aconteça, a IA precisa “ler” e “entender” que você é uma autoridade.

 

Riscos, Alucinações e o Jurídico

Mas, como nem tudo são flores, precisamos falar sério sobre os riscos.

Ao analisar documentos mais técnicos, como os da IEEE Xplore e da ACL Anthology, fica claro que ainda existe um grande desafio: as “alucinações” da IA.

Pode acontecer de a ferramenta inventar uma qualificação que o médico não tem, ou sugerir um tratamento que a clínica não oferece. Além disso, existe o risco do viés: a IA pode acabar recomendando apenas médicos com maior volume de dados online, ignorando excelentes profissionais que são mais discretos no digital.

Para o médico e gestor de clínica, isso acende um alerta jurídico. É fundamental monitorar o que está sendo dito sobre a sua marca nessas plataformas para evitar problemas de responsabilidade civil ou ética médica.

O que fazer agora? 3 Passos para se adaptar

“Ok, Marcelo, entendi o cenário. Mas como eu preparo a minha clínica?”

Não precisa entrar em pânico. A transição é gradual, mas quem começar agora sai na frente. Baseado em tudo que li e estudei sobre o tema, aqui vão 3 dicas práticas:

1. Cuide da sua reputação (Reviews são ouro) As IAs se alimentam de dados. Se o seu perfil no Google Meu Negócio ou em plataformas como Doctoralia tem muitas avaliações positivas e detalhadas, a chance da IA te recomendar aumenta drasticamente. Incentive seus pacientes a deixarem depoimentos reais.

2. Clareza nas informações (Dados Estruturados) Garanta que seu site e suas redes sociais digam exatamente o que você faz. Se você é especialista em “Cirurgia Robótica”, isso precisa estar escrito com todas as letras. A IA não adivinha; ela lê. Se a informação estiver confusa, ela vai ignorar você (conforme alertado em análises da Search Engine Journal).

3. Produza conteúdo de autoridade Esqueça textos genéricos. Para ser citado como referência, você precisa publicar conteúdo que demonstre expertise. Artigos técnicos (mas acessíveis), estudos de caso e vídeos explicativos ajudam a IA a entender que você é uma autoridade no assunto.

Conclusão

A Inteligência Artificial não vai substituir o médico, mas vai mudar a forma como o paciente chega até ele.

Estamos vivendo uma transição fascinante onde a tecnologia ajuda a conectar a dor do paciente à solução correta de forma mais rápida. Para as clínicas e consultórios, o dever de casa é manter a casa digital organizada e a reputação impecável.

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