Tem se falado muito que a Inteligência Artificial vai automatizar tudo. Que é só jogar um comando mágico e ir tomar um café enquanto o computador trabalha. Mas quem vive o digital sabe que a prática passa bem longe disso. A realidade exige muita direção.
No último fim de semana, participei de um workshop focado em animação com IA. Foram dois dias testando ferramentas e tentando entender até onde elas realmente vão sem perder a essência da mensagem.
Aproveitei a oportunidade para tirar do papel uma ideia que eu já tinha para o IMCELER, um cliente meu que atua com suporte neurológico remoto para hospitais. Eu queria muito criar um vídeo que traduzisse a urgência do atendimento ao AVC (Acidente Vascular Cerebral).
Quero compartilhar aqui como foi esse processo e os perrengues que a tecnologia não mostra. Acompanhe comigo.
1. A ideia antes do prompt
A minha intenção com esse vídeo não era só jogar dados clínicos na tela. Eu queria mostrar a real dimensão do trabalho que eles fazem. A agilidade no atendimento ao AVC evita que algo muito precioso seja interrompido: histórias, rotinas e o futuro das pessoas.
A partir do mote da marca (“construindo futuros em saúde”), pensei numa cena onde o pai sofre um AVC e, num desenho de giz de cera feito pela filha, ele começa a desaparecer. É uma metáfora simples, mas que mostra como o tempo no AVC define o que continua existindo e o que vira apenas memória.
2. O peso de manter a consistência
Quando o roteiro ficou pronto, veio a pior parte: fazer tudo parecer uma história contínua.
Quem já brincou com geradores de imagem sabe que manter a consistência entre cenas é um sufoco. Do nada o personagem muda de rosto ou o cenário muda de cor. Grande parte do meu trabalho foi justamente amarrar esses elementos. A mesma cozinha, o mesmo quadro na parede, o relógio no hospital. São detalhes pequenos, mas fundamentais pro cérebro de quem assiste entender que aquilo é uma história única.




3. O tempo por trás dos pequenos detalhes
E sabe onde a gente mais perde tempo? Nas coisas que quase ninguém nota.
Teve um take de poucos segundos onde a personagem liga para a emergência. Era só isso: um dedo apertando o botão de chamada no celular. Fazer a IA respeitar a lógica dos números e o movimento natural do dedo levou mais de uma hora de tentativa e erro. Dificilmente alguém repara nisso assistindo ao resultado final, mas é o tipo de coisa que sustenta a credibilidade do vídeo inteiro.
4. A ilusão da ferramenta única
Muita gente acha que a gente entra num site mágico, digita o que quer e o vídeo sai pronto. Quem dera fosse assim. A verdade é que não existe um lugar só pra resolver tudo. Eu tive que juntar um monte de peças separadas. Usei uma ferramenta só para criar as imagens de base e depois joguei o material para outro programa diferente pra fazer a animação. A voz foi gerada num sistema específico para isso. E a trilha sonora foi feita do zero por outra inteligência artificial, só pra dar o peso emocional exato que a história pedia.
No fim das contas, o trabalho hoje é quase o de um maestro. A gente precisa fazer várias ferramentas que não se conhecem trabalharem juntas em harmonia.
A IA não substitui a intenção
A lição que fica é clara: a IA acelera o trabalho e abre portas incríveis, mas ela não decide a intenção da cena. Ela não constrói a narrativa sozinha e não resolve tudo com um único comando.
Quando mostrei o vídeo finalizado, a reação que mais ouvi foi: “Mas Marcelo, isso foi tudo feito com IA?“
Foi. Mas não foi automático.
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Esse projeto acabou sendo muito menos sobre dominar a tecnologia e mais sobre ter uma boa ideia e cuidar dos detalhes. Se fizer sentido para a sua clínica ou marca contar uma história com esse nível de cuidado, onde a técnica e a narrativa caminham juntas, pode me chamar.
Fale comigo!
